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casa da cultura, de portas abertas
por chico lúcio - fotos mauro marques

No mês de aniversário dos seus 119 anos, Uberlândia ganha um superpresente: a reabertura da Casa da Cultura, um de seus espaços mais tradicionais no segmento das manifestações artísticas do município. A solenidade de reinauguração do espaço, no dia 23 de agosto, reuniu grande público. A secretária de Cultura, Mônica Debs, e o prefeito, Odelmo Leão, foram unânimes em destacar a importância da Casa da Cultura no painel histórico e social da cidade. Uma vasta programação foi desenvolvida até 27 de setembro, incluindo, dentre outros eventos, apresentação do Coro Uberlândia, concerto da Orquestra Camargo Guarnieri da UFU, shows no palco da praça Coronel Carneiro com Pena Branca e Renato Teixeira, Porcas Borboletas, recital com o Grupo Amacordes, concerto Udi Jazz Big Band, caminhada seresteira no Bairro Fundinho com os grupos Anjos da Alegria, L’Armonia, Anos Dourados, Reviver e Os Namorados da Lua.
Estão em cartaz duas exposições. O artista Luiz Fernando da Cunha Peppe (o uberabense, uberlandense e carioca Fuka) mostra “Formas e Cores” em 15 obras com o abstrato gestual-lírico que o consagrou em níveis nacional e internacional. “Casa da Cultura e Fuka reinauguram vicissitudes dos tempos idos, vividos e novos, experimentando lastros de intimidades, tradições, rupturas, dilaceramentos perdidos e encarnados nas vísceras materiais do imóvel e nas vísceras dilacerantes do artista”, observa a secretária municipal de Cultura, Mônica Debs. O outro destaque é Maria Abadia Carvalho que apresenta suas “Esculturas” compostas de dois universos, à primeira vista antagônicos, mas que se integram de forma inusitada e instigante. A exposição revela o aspecto mágico do seu trabalho que coloca o espectador diante de questões complexas que se manifestam na dualidade, como, por exemplo, as relações entre arte e artesanato, o sagrado e o profano, de forma lírica e surpreendente. Ambas as mostras podem ser visitadas pelo público, de segunda a sexta-feira, das 12h às 18h, até o dia 27 de setembro.

Restauração
A Casa da Cultura passou por duas intervenções nestes 12 anos em que permaneceu fechada. Na primeira, foram feitas a recuperação de portas e janelas, o recondicionamento do piso de tábua do pavimento superior e a reconstrução da escada de mármore da entrada principal. A segunda etapa teve, entre outras obras, a execução de instalações elétricas e do projeto de iluminação de emergência. A restauração da Casa da Cultura foi viabilizada com recursos da iniciativa privada (1999, 2002 a 2005) e do Município (2006 e 2007).
Hoje sua estrutura básica é composta por dois espaços para reuniões, um Salão Nobre que disponibiliza um piano meia-cauda, data-show, som e outros equipamentos, destinado a pequenos encontros artísticos, e o Memorial da Casa, uma sala de pesquisa com recursos de informática, além da Galeria de Arte e o Café Cultural. A Diretoria de Cultura da Secretaria Municipal de Cultura também funciona no prédio. A casa e sua equipe contam com a colaboração da comunidade para alcançar o seu objetivo principal, que é oferecer não só um espaço físico, mas um ambiente harmonioso, possibilitando a troca de vivências e experiências nos vários campos da cultura e da arte.

História
O prédio da Casa da Cultura foi construído, entre 1922 e 1924, para  residência de Eduardo Marquez, intendente municipal (de 1923 a 1926), que queria construir uma suntuosa casa com características monumentais, semelhante às de São Paulo. O projeto foi confiado ao engenheiro Fernando Paes Lemes e a construção ficou a cargo do empreendedor Américo Zardo. Foi a primeira construção feita com alicerces de pedra moída e que empregava materiais oriundos do Exterior e de outros Estados, tornando-se a casa mais destacada e importante da cidade. Em 1936, foi adquirida pelo Dr. Laerte Vieira Gonçalves, que ali se instala com sua família e transforma parte da área física em Casa de Saúde e Maternidade. A casa sofreu algumas modificações, principalmente em suas instalações hidráulicas e elétricas, além da construção de dois novos espaços reservados, como salas de cirurgia, apesar da polêmica causada na época, pois alguns julgavam que essas construções anexas descaracterizavam a beleza e originalidade da edificação. Após a mudança do Dr. Laerte, o prédio continuou servindo como espaço para atividades médico-hospitalares.

Somente nos anos 60, a casa foi adquirida pelo Governo do Estado, nela instalando-se a Delegacia de Polícia Civil. Para atender a essa nova função foram feitas intervenções estruturais, como a colocação de grades nos vãos dos porões, transformando-os em cárceres.

Em 1970, a Delegacia foi transferida e o espaço ficou sem utilização durante algum tempo, até que o Governo instalou a Superintendência Regional da Fazenda Estadual que funcionou no local até 1983. Em maio de 1984, o Estado doou o imóvel ao município de Uberlândia, em regime de comodato, criando a Casa da Cultura. Através da Lei Municipal 4217, de 15/10/1985, de autoria da vereadora Olga Helena da Costa, a Casa da Cultura foi tombada como Patrimônio Histórico Municipal.